Lesão medular (paraplegia / tetraplegia) e o BPC/LOAS
Incapacidade motora permanente causada por lesão na medula espinhal — uma das condições mais reconhecidas para o BPC e aposentadoria por invalidez.
CID e CIF — as duas classificações que decidem o seu BPC
O laudo deve especificar o nível da lesão (cervical, torácico, lombar) e se é completa ou incompleta. Confirmado na perícia médica do INSS.
- Funções neuromuscularesForça muscular, tônus e controle motor abaixo do nível da lesão
- Mobilidade e locomoçãoUso de cadeira de rodas, órteses e necessidade de assistência para deslocamento
- AutocuidadoHigiene, banho, vestuário e alimentação — grau de dependência de terceiros
- Funções urinárias e intestinaisBexiga neurogênica, sondagem e necessidade de cuidados contínuos
A perícia médica confirma o CID e o nível da lesão; a avaliação social mede o CIF — o impacto real na vida diária. Ambos são necessários para o deferimento do BPC.
O que é lesão medular
A lesão medular é um dano à medula espinhal que interrompe parcial ou totalmente a transmissão de sinais nervosos entre o cérebro e o corpo. Dependendo do nível e da extensão da lesão, o resultado pode ser paraplegia (perda de função nos membros inferiores) ou tetraplegia (perda nos quatro membros).
As causas mais comuns são traumáticas — acidentes de trânsito, quedas e mergulho em água rasa — mas também podem ser não traumáticas, como tumores, infecções (mielite) ou doenças vasculares. Em todos os casos, quando a incapacidade é permanente, o direito ao BPC ou à aposentadoria por invalidez existe.
Base legal
O BPC é garantido pelo artigo 203 da Constituição Federal e regulamentado pela Lei 8.742/1993 (LOAS). A lesão medular com paraplegia ou tetraplegia configura claramente impedimento de longa duração de natureza física, fundamentando o pedido de BPC para quem tem renda per capita familiar de até 1/4 do salário mínimo.
Quem tem contribuições ao INSS tem direito à aposentadoria por invalidez, independente da renda familiar, quando a incapacidade é total e permanente.
Documentos necessários
- Laudo médico com CID G82Deve descrever o nível da lesão (ex: T4 completa), causa (trauma, doença), data do evento e sequelas funcionais atuais.
- Relatório de fisioterapia / reabilitaçãoDescreve o grau de dependência funcional, uso de cadeira de rodas, órteses e resultados do tratamento.
- Relatório de urologistaSe houver bexiga neurogênica, documento que comprova a necessidade de sondagem e cuidados contínuos — reforça o grau de dependência.
- Laudos de imagemRessonância magnética ou tomografia da coluna que comprova a lesão estrutural — importante para casos não traumáticos.
- CadÚnico atualizadoObrigatório para BPC. Deve refletir a composição familiar e renda atual de todos os moradores.
- Comprovantes de renda de todos os moradoresRenda per capita deve ser ≤ 1/4 do salário mínimo para o BPC ser concedido.
Como é a perícia do INSS
O perito médico vai avaliar o nível e a extensão da lesão, a força muscular nos membros afetados e a necessidade de cadeira de rodas ou outros dispositivos de assistência. A avaliação social vai verificar o grau de dependência de terceiros para atividades básicas — banho, higiene, alimentação, locomoção.
Em casos de tetraplegia completa, a perícia tende a ser mais objetiva. Em paraplegias incompletas, é fundamental apresentar laudos detalhando as limitações funcionais reais, mesmo que haja alguma preservação de movimento.
Erros que levam à negativa
- Laudo que descreve apenas o diagnóstico sem detalhar o nível da lesão e o grau de comprometimento funcional
- Ausência de laudo de fisioterapia ou reabilitação que evidencie a dependência para atividades diárias
- CadÚnico desatualizado com membros da família não incluídos ou renda incorreta
- Lesão incompleta sem documentação do impacto funcional real nas atividades diárias
- Não apresentar laudos de imagem que comprovem a lesão estrutural
O que fazer se o BPC for negado
Recorra dentro de 30 dias da notificação da negativa. O recurso vai para a Junta de Recursos (JR) e, em segunda instância, para o CRPS. Se a via administrativa falhar, é possível buscar tutela judicial nos Juizados Especiais Federais — especialmente em casos de tetraplegia, onde a incapacidade é objetivamente comprovável.
Como aumentar as chances de aprovação
Independente da condição, estas 6 estratégias aumentam significativamente as chances de aprovação no BPC — baseadas no estudo de padrões de negativa e reversão no INSS:
- 1Documentação completa com CID e impacto funcional — Laudos com diagnóstico, como a doença afeta atividades diárias, trabalho e relações sociais.
- 2Comprovação de tratamentos continuados — Histórico de fisioterapia, medicações, internações e afastamentos demonstra cronicidade.
- 3Relatório de impacto social — Documento descrevendo como a condição limita autonomia, trabalho, estudo e vida familiar.
- 4Preparação para a perícia — Levar documentos organizados, medicamentos, receitas e explicar ao perito as limitações reais do dia a dia.
- 5Associar múltiplas patologias — Se há mais de uma doença, documentar todas e identificar a principal. O INSS avalia o quadro geral.
- 6Recurso com advogado previdenciário — Se negado, recorra em 30 dias. Via administrativa (JR → CRPS) ou judicial. A maioria das negativas indevidas é revertida.
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Condições relacionadas
Este conteúdo é informativo e não substitui a análise individual do seu caso.
