Síndrome do túnel do carpo e o BPC e o BPC/LOAS
Síndrome do túnel do carpo raramente dá direito ao BPC porque é tratável cirurgicamente. Mas casos com atrofia muscular grave e paralisia permanente após falha cirúrgica têm chance.
CID e CIF — as duas classificações que decidem o seu BPC
O laudo deve especificar o grau de comprometimento (leve, moderado, grave) por eletroneuromiografia e o resultado do tratamento cirúrgico quando realizado.
- Funções sensitivas das mãosFormigamento, dormência e dor que não cedeu com o tratamento cirúrgico
- Força e preensão manualAtrofia da musculatura tenar com perda de força de preensão e pinça — impede atividades manuais
- Trabalho e atividades manuaisImpossibilidade de trabalhos que exijam uso repetitivo das mãos — digitação, costura, montagem
- AutocuidadoDificuldade para segurar utensílios, escrever e realizar atividades de higiene
A perícia médica confirma o CID; a avaliação social mede o CIF. É a combinação dos dois que fundamenta o BPC.
Por que raramente dá BPC
A cirurgia de liberação do ligamento transverso do carpo resolve a compressão do nervo mediano em 85-90% dos casos. O INSS considera que há tratamento eficaz disponível e portanto a condição não é permanente na maioria dos casos.
O BPC só é viável quando há documentação de: (1) cirurgia realizada sem resultado satisfatório; (2) atrofia da musculatura tenar grave; (3) perda permanente de força e sensibilidade que inviabiliza o trabalho e atividades básicas.
Documentos necessários
- Eletroneuromiografia (ENMG)Documenta o grau de comprometimento nervoso — compressão grave com atrofia é o caso mais forte.
- Relatório cirúrgico e pós-operatórioSe houve cirurgia, documenta o procedimento, o resultado e as sequelas persistentes.
- Avaliação de força de preensãoDinamometria manual documenta objetivamente a perda de força — argumento importante para o perito.
- CadÚnico atualizadoRenda per capita ≤ 1/4 do salário mínimo de todos os moradores.
Como aumentar as chances de aprovação
Independente da condição, estas 6 estratégias do estudo previdenciário aumentam significativamente as chances de aprovação no BPC:
- 1Documentação completa com CID e impacto funcional — Laudos atualizados descrevendo não só o diagnóstico, mas como a doença afeta as atividades diárias, o trabalho e as relações sociais.
- 2Comprovação de tratamentos continuados — Histórico de fisioterapia, medicações, exames, internações e afastamentos médicos. Demonstra cronicidade e que o tratamento foi tentado.
- 3Relatório de impacto social — Documento específico do médico ou assistente social descrevendo como a condição limita atividades diárias, trabalho, estudo, autonomia e vida familiar.
- 4Preparação para a perícia — Levar todos os documentos originais organizados, medicamentos em uso, receitas, exames e explicar ao perito as limitações reais do dia a dia.
- 5Associar múltiplas patologias — Se há mais de uma doença, identificar a principal e documentar as secundárias como agravantes. O INSS avalia o quadro geral.
- 6Recurso com advogado previdenciário — Se negado, recorrer em até 30 dias. Via administrativa (JR → CRPS) ou judicial. A maioria das negativas indevidas é revertida com documentação correta.
📋 Portaria Conjunta nº 37/2026 — o que muda para Síndrome do túnel do carpo e o BPC
A Portaria 37/2026 pode beneficiar casos com STC grave bilateral onde, mesmo com o tratamento, há impacto funcional concreto documentado. O recurso deve apresentar avaliação funcional das mãos com dinamômetro.
Erros que levam à negativa
- STC leve ou moderada sem atrofia e sem falha cirúrgica — INSS nega sistematicamente
- Não documentar o resultado da cirurgia e as sequelas persistentes
- Laudo sem eletroneuromiografia — é o exame objetivo mais importante para o perito
Será que você tem direito?
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Condições relacionadas
Este conteúdo é informativo e não substitui a análise individual do seu caso.
